Paixão passageira por acaso
Não foi por um animal.
Não foi por um alimento.
Foi por uma porta.
O banco paralelo à porta do ônibus é o lugar mais lindo do mundo.
Estou encantada.
A porta fechada é um pouco imbaçada, suja.
Mas quando ela se abre (alegria)… O mundo é nítido, onde as meninas com cabelos alisados por alguma química suspeita te encaram, os porteiros de bigodinho tentam esbanjar intelectualidade com suas mochilas azuis, o vento frio de uma tarde de outono como essa entra. Arrepio!
E repentinamente, a porta se fecha, voltando à falta de nitidez novamente.
Eu poderia viver lá eternamente.
Mas não, não vou.
Aperto o botão laranja quando vejo a clínica de alguma coisa se aproximando, o apito toca.
Mais umas duas ou três pessoas descem comigo, entre elas uma moça com cara de diarista; cabelo muito enrolado muito preto muito brilhoso, brilhante demais para que aquele brilho seja natural; um adolescente com boné de marca falsificado, ouvindo música; uma senhora não muito idosa com cabelos crespos pintados com uma cor acobreada feia e óculos de bolinha; e eu. Tênis roxo, blusa estampada bem colorida, calça jeans, jaqueta. Meu cabelo preso à la Keira Knightley; meio bagunçado, meio preso.
Empino o nariz apenas para o prazer de me sentir superior, mesmo que eu não o seja.
Funciona.
Pensei nesse texto quando estava dentro adivinhem de onde?
HA.
Beijos.
ps: Andressa Michelle é um DRAGÃO.





